segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Descriminalização do aborto: enfim, a liberdade!


Apesar da baixa participação referendária, que reflecte o ancestral alheamento dos portugueses em relação à res publica, as mulheres portuguesas estão de parabéns. Conquistaram, enfim, um direito elementar: o de gerirem a sua singular capacidade para a gestação.

Uma vez mais, o resultado do referendo não teve carácter vinculativo, pelo insuficiente número de votantes. A competência legislativa sobre o aborto, contudo, volta ao parlamento, donde não deveria ter saído. A folgada votação maioritária na opção da descriminalização constitui uma indicação clara, que os deputados deverão respeitar. Esperemos que a futura lei não defraude as naturais expectativas dos apoiantes da descriminalização, e que à sombra da cópia de modelos estrangeiros não se venham a impor condições que na prática acabem por constituir limitações ao exercício do direito de opção das mulheres em plena liberdade.

A dignificação social da mulher é um caminhar sem fim à vista. Deveremos continuar a exigir que a sociedade reconheça o valor da maternidade, para que esta singular capacidade da mulher constitua parte importante da sua realização pessoal e para que contribua para a necessária renovação geracional. Não se trata apenas de uma questão de direitos e de igualdade social: é o reconhecimento da importância da mulher como ser humano que desempenha uma função essencial para a renovação da vida.

Defensor da descriminalização, da liberdade de opção e da igualdade social da mulher, sou contra o financiamento do aborto voluntário pelo Estado. Apenas os extremos ideológicos estatistas poderão defender uma tal solução. Não só pelos custos envolvidos, que não serão pequenos, mas fundamentalmente porque os cuidados de saúde devem ser prestados em caso de doença ou de acidente, coisa que manifestamente a gravidez não constitui. Confundir o direito ao aborto precoce com um pretenso direito à "saúde reprodutiva" não passa de um expediente para reclamar de forma encoberta o financiamento do aborto pelo Estado.

Cada mulher fará o que entender com a sua liberdade de optar, escolhendo o estabelecimento especializado que lhe garanta os requisitos técnicos e de descrição que ache necessários ou convenientes, e o funcionamento do mercado se encarregará de regular os custos deste tipo de serviço. Por custosa que seja a liberdade, será sempre mais barata e melhor do que a criminalização, a clandestinidade e a insegurança.

2 Comentários:

Às 4:53 da manhã, fevereiro 13, 2007 , Blogger peter disse...

só te esqueceste dos abortados.
Mas deixo-te o testemunho de um

A minha mãe biológica estava grávida de sete meses e meio
quando decidiu abortar-me.
Não sei porque é que ela tomou essa decisão.Estavamos em 1977.
Ela e o meu Pai biológico tinham 17 anos na altura e não estavam casados.
Ela decidiu abortar numa clinica de Los Angeles e realizou um aborto salino.
Uma solução com sal é injectada no ventre materno e o bébé bebe-a e ficando queimado por dentro e por fora.
Nesse tipo de aborto o bébé é expelido morto em 24 horas mas eu sobrevivi.


O Aborcionista não estava de serviço quando eu vim ao mundo porque se isso tivesse acontecido ele tinha-me estrangulado, algo que era considerado perfeitamente legal até 2002.

/..../
A unica pessoa preocupada comigo foi a enfermeira . Ela chamou uma ambulância e fui transportada para o hospital.
Fui colocada numa incubadora. Não se esperava que eu sobrevivesse.

Porém sobrevivi.

Devido a ter estado 18 horas sem hoxigénio sendo queimada viva no ventre da minha mãe fiquei com problemas .

Não me conseguia mover por mim mesma e os medicos afirmavam que eu iria viver num estado vegetativo o resto da vida.

A minha mãe adoptiva- Penny - decidiu que não obstante aquilo que os médicos afirmavam ela tentaria recuperar-me.


Com 3 anos e meio comecei a conseguir andar. Foi quando a filha de Penny me adoptou.

Tenho 28 anos e trabalho como musica em Nashville, Tennesse.
Ainda coxeio e por vezes caio mas já participei numa maratona e irei participar para o ano numa maratona, em londres , para jovens deficientes.

A minha mãe adoptiva falou-me do meu passado.

Sempre senti que havia algo que faltava contar.Perguntava-lhe muitas vezes porque tinha problemas e ela respondia-me que eu havia nascido prematura.

Aos 12 anos perguntei-lhe de novo e ela disse-me o que havia acontecido.
Eu respondi que tinha este problema devido a um facto interessante.
A minha mãe adoptiva disse-me que eu em vez de ficar amargurada deveria alegrar-me por ter sobrevivido.

Quando eu tinha 17 anos a minha mãe adoptiva encontrou-se com a minha mãe biológica e disse-lhe que eu a perdoava.
Sou cristã. Acredito que a revolta nos pode consumir a vida.

A minha mãe adoptiva amou-me tanto que eu não sinto necessidade de me encontrar com a minha mãe biológica.

Não sei muito do que se passou no encontro entre elas. Só sei que a minha mãe biológica não pediu perdão e fez outro aborto depois do meu.
Comecei a falar contra o aborto quando tinha 14 anos e na terça Feira falarei na camara dos comuns.
Eu penso que é importante mostrar o que aconteceu comigo não só para mostrar a verdade do aborto mas também para mostrar as potencialidades que cada um de nós tem dentro de si.

Não creio que o assassinio seja um direito . Sou completamente contra o aborto, seja em que circunstancia fôr mesmo em casos de violação.
Embora a violação seja um crime horroroso não deve ser a criança a pagar por esse crime.
De facto encontrei-me com pessoas produto de violações e elas estão gratas por estar vivas.


Se o aborto é um direito das mulheres quais são os meus direitos ?

Não existiam protestos feministas contra o facto dos meus direitos estarem a ser violados no dia em que fui queimada viva .

Todos os dias agradeço a Deus.

Não me considero um monte de celulas nem nenhum dos nomes que se costumam dar ao que a mulher carrega no seu ventre.
/..../
Hoje um bébé é um bébé quando isso convém.
Mas quando não convém , quando não chega no momento certo é chamado de um monte de celulas.
Um bébé é chamado de Bébé quando um aborto não provocado ocorre aos 2 , 3 ou 4 meses.

Um bébé é chamado de monte de celulas quando um aborto ocorre aos 2, 3 , ou 4 meses.
Eu não vejo diferença entre os 2 .

Acredito que sou prova viva de que o aborto é o assassinio de um ser humano.
A minha Mãe biologica hà 28 anos atras estava convencida de que tinha direito a escolher , de que tinha direito a uma escolha que só a afectaria a ela.
Porém em cada dia da minha vida eu carrego as consequencias da sua escolha.
Embora eu nada tenha contra ela acho importante as pessoas reflectirem antes de tomarem determinadas decisões.

SEM MAIS

 
Às 5:01 da manhã, fevereiro 13, 2007 , Blogger peter disse...

Falas dos fetos como se não fosse vida humana.
És como quem fala de escravos como se estes fossem coisas.
És como um fulano do seculo 17 a quem nem ocorria que os escravos não eram ojectos ou animais.

Estás nessa fase,(Bem confortável, aliÁs)

 

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