terça-feira, 28 de agosto de 2007

EPC: a poética da fala


Desde há muito, já do tempo da outra senhora, ouvi referirem-se a Eduardo Prado Coelho como o Execrável Prado Coelho, o É PC ou o bola de sebo. Os epítetos depreciativos vinham de invejosos sarcásticos ou de inimigos de estimação, que abundavam nos meios snobs da intelectualidade de café, e eram usados a propósito de uma qualquer crítica de cinema, da apreciação de um livro, duma crónica de ocasião ou da opinião política emitida por EPC. Agora, que também ele das leis da vida se libertou, alguns daqueles derramam hipócritas lágrimas de crocodilo.

Confesso não ter sido admirador do cidadão, muito próximo das cadeiras do poder, nem do intelectual, exibindo erudição em prolixas citações, mas sem pensamento original. Nem, ao contrário de outros, fui leitor assíduo das suas crónicas, embora lhe apreciasse o estilo de fino recorte. Uma coisa não esqueço: ouvir Prado Coelho falar, acerca do que fosse, era puro deleite. Mesmo que o sorriso aflorasse aos lábios. Para além da subtil inteligência, ele tinha o dom, como ninguém, da poética da fala. A dicção clara, a prosódia agradável, o tom comedido, o sorriso leve e um delicado menear de mãos compunham uma personagem inigualável. Esse EPC não vou esquecer.

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