terça-feira, 7 de outubro de 2008

A crise do capitalismo que ainda agora vai no adro: “não há almoços grátis”!


A culpa da actual crise é, e continuará sendo, dos capitalistas, esses malandros gananciosos. Se bem que esta não seja uma crise de acumulação de mercadorias por consumir, mas de mercadorias consumidas sem que os seus consumidores tivessem rendimentos para tal. Ao contrário do que é habitual, os actuais consumidores a crédito não fazem parte da malandragem gananciosa, mas estúpida, que usava o crédito para produzir, produzir sempre mais, para hipotéticos consumidores solventes, que por não existirem faziam as mercadorias acumularem-se nos armazéns. Estes consumidores a crédito pertencem à mesma estirpe daqueles que dantes consumiam "ao rol" sob a suspeita do contrariado fiador, sempre na dúvida se um dia a dívida seria saldada. Como bons cristãos, apesar da dúvida, os fiadores sabiam que praticavam uma boa acção mitigando a fome aos pobres, miseráveis desempregados, temporariamente insolventes por não encontrarem quem lhes comprasse a mercadoria de que eram produtores, o seu trabalho.

Ao contrário dos pobres de antigamente, os actuais consumidores insolventes vendem o seu trabalho. Também ao contrário deles, não se endividam para mitigar a fome. Perante a avalanche de mercadorias, que não pára de crescer, são instados a consumirem o que não poderiam consumir com o rendimento obtido com a venda do seu trabalho. Embarcam na ilusão fácil do "consuma hoje, pague um dia destes". Os próprios fiadores fiam o que não é seu e já não padecem do cepticismo dos fiadores de outrora. Para uns e outros, o mundo transformou-se numa caixa mágica, onde tudo parece fácil e ao alcance de um estalar de dedos. Uns tiram coelhos da cartola como se nunca lá tivessem sido postos; outros papam os coelhos, tão saborosos quanto reais, obtidos pela magia do prestidigitador. Perante a facilidade do crédito, para quê garantias de solvabilidade, para quê pagarem, uns, ou reivindicarem, outros, melhores salários? Para quê, pensam, se o salário não é uma parte do que foi produzido, mas um crédito adiantado sobre o que será produzido?

E vivem nesta ilusão, até que um dia despertam, em sobressalto, com todos reclamando os seus créditos. Desfaz-se então a magia e, enfim, são forçados a compreenderem a verdade nua e crua com que o sempre glosado bombo das festas das segundas-feiras os brinda constantemente: “não há almoços grátis”!

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