sexta-feira, 31 de julho de 2009

Não saímos disto: do mal o menos?


Aproximam-se dois actos eleitorais em que as companhias se apresentam a concurso para a farsa em que participamos como fornecedores dos adereços e como espectadores. O enredo é péssimo, os actores são maus, mas são à medida dos aderecistas e espectadores que somos. Não nos podemos queixar da falta de qualidade da produção. Não sabemos como sair desta embrulhada, e talvez não possamos sair dela. Pedem-nos que as escolhamos, não nos permitem mais. Pelos elencos e os reportórios, só podemos escolher a menos má. Das companhias maiores, PS de seu Pinóquio é má, com provas dadas de incompetência congénita e na opção por nos lixar o coiro; PPD de sua Múmia é do piorio, com provas dadas na opção pela roubalheira e na fixação congénita por esfolar-nos o coirão. Restam as menores, que poderão talvez atenuar os ímpetos malfazejos.

Nas hostes da companhia no activo não faltam candidatos, medíocres e cada vez mais chungas. Assustada com recentes insucessos de preferência, procura fortalecer-se com novas estrelas, tentando arregimentar ao jeito de ópera bufa artistas de outras companhias e convocando à boca de cena insuspeitos companheiros de jornada. Independentes, dizem-se; até críticos, reafirmam alguns; mas todos apoiantes nas horas difíceis. E quando o centro treme, apupado à esquerda e filhado à direita, cercado de totalitarismo, é para eles uma dessas horas difíceis. O centro, onde sempre se situaram, é o lugar de realização das suas utopias, as das pequenas coisas com que se governam e que aí se concretizam. Para eles, o óptimo é inimigo do bom, e um pássaro na mão sempre é melhor do que dois a voarem. Não dá tacho? Alguma coisa há-de pingar!

O futuro não se adivinha, antevê-se no presente com a memória do passado. Se tivermos memória, não poderemos iludir-nos: o que aí vem não se apresenta risonho, como nunca se apresentou. Estamos e continuaremos “bem aviados”. Fraca consolação é podermos escolher quem nos irá arrepiar o coiro. As companhias não são iguais, mais não seja porque prometem usar lixas de grão diferente. Como a memória é curta, passados os primeiros ais logo esqueceremos as dores. Todos os dias há bola e gajas boas na TV, um copo que nos alegra e carícias de miúdas ou de patroas que nos animam. É a vida como sempre foi, com os condimentos de distracção e de entretenha à moda de cada época. Já vimos semelhante peça com olhar mais crítico. Então tínhamos aspirações que hoje sabemos impossíveis, e não sonhávamos o inferno a que nos conduziriam.

Um novo Verão quente aproxima-se. Desta vez, só mesmo o calor irá apertar. E essa calmaria passará célere com umas minis fresquinhas escorrendo pela goela. Assim se combatem os rumores da crise que por aí vai e os suores da que por aí vem.

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