quinta-feira, 1 de outubro de 2009

SEXA passou-se dos carretos? Passou-se.


SEXA parece ter mantido um muito mau hábito: não ler jornais. Liberto dos afazeres governativos, não tendo de queixar-se de que não o deixam trabalhar, SEXA poderia gastar um pouco do seu decerto precioso tempo a ler os jornais. Mais a mais agora, que apenas há matutinos e se pode olhar de relance pelas mais gordas enquanto se degusta o primeiro almoço. Se o tempo escasseasse, poderia ao menos passar a ler as notícias seleccionadas pela assessoria de imprensa. Melhor informado, ter-nos-ia evitado o triste espectáculo a que assistimos durante a campanha, mais o que nos proporcionou com a sua patética comunicação, e ter-se-ia poupado a andar nas bocas do mundo.

Se tivesse hábito tão salutar, logo no dia 18 de Agosto, ou no seguinte, SEXA teria ordenado ao Chefe da sua Casa Civil que desautorizasse a fonte do Público, ainda que tivesse de pôr o FL a cirandar noutro cargo. O boato das suspeitas da vigilância teria sido lançado e SEXA ficaria de fora da embrulhada, que nem seria a que se seguiu e até poderia dar algum ganho. O JMF teria aprendido os custos de se prestar a ser moço de recados, mas não teria ouvido um tão claro raspanete do patrão e ainda poderia aspirar a um lugarzito de assessor como recompensa pelo sacrifício. Isto para não dizer que SEXA se deveria deixar das patetices da boataria. Seria fato que lhe assentaria melhor.

Depois, aquela boca em Querença — “a senhora não é ingénua e eu também não” — foi um remate torto como o diabo. Envolvido como já estava, exposto pela jogada baixa do DN, SEXA deveria ter bancado ao ingénuo. Era o mínimo, para atenuar os estragos. A primeira parte talvez ainda pudesse ter salvado a honra do convento; bastaria que SEXA, mesmo que daqui a duas semanas, viesse dizer que nunca suspeitou de que estivesse sendo vigiado, que sabia agora que membros da sua assessoria tiveram essa sensação acerca de si próprios, mas que isso não envolvia SEXA nem eles estavam autorizados a manifestar tais opiniões pessoais de modo a confundirem-se com a de SEXA. Seria, digamos, um modo airoso de sair de tamanha trapalhada.

SEXA ficou deveras incomodado com isto. O pior é que ficou incomodado apenas com a baixeza do DN ao ter divulgado o e-mail privado de há dezassete meses, contando a tramóia inicial, que então não tivera pés para andar, mas que agora, com o pretexto de “como saberiam eles dos passos dos assessores?”, parecia ter ganho uma nova oportunidade. Ora, SEXA deveria ter-se sentido incomodado também por se ter envolvido numa manobra de tão baixa política. Não supunha SEXA capaz de descer tanto. SEXA também não os supunha capazes de descerem ao ponto de divulgarem correspondência privada alheia. Ficou a saber do que são capazes, e nós ficámos a saber do que SEXA e eles são capazes. Numa situação de empate técnico, como diziam as sondagens, pretendia que deixassem escapar o brinde que lhes caíra do céu aos trambolhões? Ora, ora, SEXA não é ingénuo, mas às vezes parece.

Como técnico, SEXA sabe os males de que padece o país, e julga ter algumas soluções. Mas SEXA já não governa, nem o seu partido. Cinja-se ao que manda a carta, coloque-se no seu devido lugar, que ninguém lhe cobrará nada. Trate de dar alguns conselhos ao Pinóquio, porque esse coitado não sabe nadinha de nada, a não ser de pequenas trocas e baldrocas de favores para singrar na vida. Acalme-se, volte a pôr os carretos do bom senso nos eixos, oleie bem a corrente da cooperação estratégica em matéria de economia, não se meta em questões de costumes, porque já passou do prazo para essas coisas, e importe-se com as dúvidas constitucionais. Quem sabe se SEXA não terá ainda uma segunda oportunidade, agora que o poeta desistiu da corrida? Pense no futuro, porque o que lá vai, lá vai…

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