terça-feira, 3 de novembro de 2009

Somos todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros


A vacina contra a gripe A irá estar disponível de acordo com o plano de fornecimentos da empresa produtora. A vacinação será efectuada por fases e o plano de vacinação está sendo elaborado desde há meses. Foram inquiridas empresas e instituições públicas, que indicaram quem, dos seus quadros de pessoal, deveria ter prioridade. Na primeira fase do plano, que se prevê abranger cerca de 500 000 portugueses, estarão incluídos muitos trabalhadores que ocupam postos de trabalho considerados importantes, assim como os dirigentes partidários.

Tratando-se duma epidemia de fácil contágio, é estranho que o plano de vacinação não tenha sido elaborado considerando prioritários os grupos de risco em relação à difusão da epidemia e, depois, os grupos de risco em relação às consequências da doença para a sua saúde, tendo em conta previsíveis debilidades do seu estado. Dizia o Director-Geral da Saúde que entre os critérios que teriam presidido à elaboração do plano de vacinação contra a gripe A estaria também a importância de algumas pessoas para a vida económica e política do país.

É surpreendente que até em questões de saúde, e em relação a prioridades dum plano público de vacinação, a malfadada economia-política tenha conquistado lugar de destaque. Ficámos a saber de viva voz, afinal, o que todos de há muito suspeitamos: em relação à saúde, não há apenas uns em maior risco do que outros; há também uns mais importantes do que outros. Quando isto é dito com a maior das naturalidades e toda a candura, pouco mais haverá a esperar do espírito crítico desta gente. Está tudo dito: somos todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros.

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