quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eleições presidenciais: o amigo do povo “sova” o seu inimigo


Gostei da participação do candidato Francisco Lopes no debate de ontem na TVI com o candidato Cavaco Silva. Pode-se dizer que o amigo do povo, Chico Lopes, sovou o seu inimigo (com sábias e certeiras palavras, que não com varapau); o candidato da oposição assumiu-se claramente contra o candidato da situação; o operário de curta duração e pequena experiência atacou forte e feio o contabilista de longa duração e grande experiência; o patriota Chico Lopes pugnou pelos interesses de tão ditosa pátria e desmascarou o anti patriota Cavaco Silva; os trabalhadores e os pequenos e médios empresários, que é como quem diz, o povo e a nação, uniram-se, pela voz de Chico Lopes, para atacarem os grandes grupos monopolistas e para defenderem a pátria contra os especuladores financeiros internacionais, e desancaram o seu porta-voz Cavaco Silva, qual chefe de bando do capital monopolista, vendilhão da soberania e hipotecário dos interesses nacionais; a voz da esperança num futuro radioso pugnou por outra postura política na Presidência da República contra a voz da resignação e da continuidade da política de direita que conduziu à degradação das condições de vida dos trabalhadores e da situação do país.

Notei um pequeno senão: o amigo do povo, Chico Lopes, não nos ter explicado que interesses nacionais são esses que fazem irmanar na mesma luta os trabalhadores e os pequenos e médios empresários que os exploram. No seu entender, isso é claro, porque o explorador dos trabalhadores e o causador da actual crise do capitalismo é o grande capital; o pequeno e o médio capital sofrem na pele os efeitos da espoliação a que os submetem os grandes grupos monopolistas, e tal como os trabalhadores também eles são vítimas das medidas impostas pelos especuladores financeiros internacionais sugando o erário público até ao tutano. Mas faria bem trocar por miúdos, para todos compreenderem. Fora isso, o amigo do povo esteve bem, com a fluência, a descontracção e a desenvoltura que se lhe reconhecem, a debitar impassível o discurso do partido contra a injustiça social e a imoralidade económica, apanágio desses malandros, os grandes grupos monopolistas nacionais e os seus aliados, os especuladores financeiros internacionais.

Por este caminho, cuide-se o grande capital monopolista. Se não for a ingratidão dos trabalhadores e dos pequenos e médios empresários, que é como quem diz, do povo e da nação, como tem sido habitual, um grande resultado espera a candidatura patriótica e de esquerda, e a eleição do amigo do povo Chico Lopes está no papo. Oh! se está. Os excelentes resultados obtidos pelo Carvalhas e pelo Jerónimo depressa cairão no olvido. Oh! se cairão. A não ser que o malfadado destino pregue mais uma das suas muitas partidas ao partido da classe operária, dos trabalhadores e de todo o povo. O que seria uma pena.


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Adenda (2011.01.27)

E foi uma pena! O povo foi ingrato, como tem sido habitual. Mas o povo é quem mais ordena, decide como lhe apraz, não está para gratidões. Quem se sente alvo da ingratidão popular tem de se esforçar por convencer o povo da bondade das suas propostas; não deve lamuriar-se.
Diz o Jerónimo que é o povo que temos. Engano o seu. É o povo que somos — burguesia, trabalhadores, os seus intelectuais orgânicos e os seus representantes políticos — digo eu. Somos todos uma lástima, e de há muito que o somos. Mas é o que se pode arranjar. Que fazer?

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