terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Mais um assalto da quadrilha

Acabei de receber a pensão. Números redondos, foram menos oitenta euros do que a do mês passado. Ao roubo dos subsídios de férias e de Natal do ano transacto, junta-se o roubo daqueles subsídios e de quarenta euros mensais este ano. E presumo que a roubalheira não irá ficar por aqui. No acerto anual com o fisco, com a redução do número de escalões de imposto e o aumento da taxa de cada um, e com a redução das deduções à colecta, há-de caber-me roubarem-me mais algum.

Foram mais de quarenta e três anos de descontos de poupança obrigatória, para que a velhice decorresse sem grandes sobressaltos. Não precisaram de desembolsar subsídio de desemprego e com a saúde também não gastaram muito. Feitas as contas, o que pus no mealheiro daria para me pagarem a pensão, ainda para mais fixada arbitrariamente sem critério conhecido, durante umas boas duas dezenas de anos, e decerto sobejaria para ajudar a pagá-la a outros que lá puseram menos ou nada.

Vai no terceiro ano e já me roubaram vinte por cento. A continuar assim, daqui por meia dúzia de anos estará reduzida a metade. E não será de admirar. É a função da quadrilha que tomou conta do poder: roubar a quem trabalhou e trabalha e transferir o saque para os bolsos dos prestamistas seus patrões, à conta do pagamento de juros de usura de títulos de dívida pública, de rendas escandalosas, de generosas dádivas a privados e de recapitalização de alguns dos próprios prestamistas.

Posso falar bem desta corja de desqualificados sem vergonha, que antes prometia uma coisa e hoje faz o inverso? Não posso. Posso esperar que fiquem o tempo previsto? Não posso. Posso desejar a rápida demissão do cínico bem penteado Passos cantador de ópera falhado, do vigarista disfarçado Relvas do quarto alugado, do saqueador sem sotaque Gasparinho do fraque, do anda aos papéis Alvarinho dos pastéis e do verdadeiro artista e campeão das peneiras Paulinho das feiras? Posso e devo.

Ainda não sei como fazer para tornar realidade o desejo. Mas algo farei, nem que seja engrossando o coro dos que cantam “Grândola, vila morena... o povo é quem mais ordena”.

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