sexta-feira, 1 de junho de 2018

A propósito de um malfadado museu das descobertas...

Afinal, não houve descobertas. Só colonialismo, e do rijo. De terras que antes de serem descobertas pelos portugas e por outros europeus já eram conhecidas dos povos que nelas habitavam… Descobertas, porquê, se já eram conhecidas? Descobertas, porquê, se depois veio a conquista a ferro e fogo para o estabelecimento ou a pilhagem? Uma coisa elide a outra?

Aquilo do achamento do Brasil, da cabotagem da África, da dobragem do Cabo para chegar às Índias ou da acostagem na Madeira, da aguada em Cabo Verde e do contorno do arquipélago das rapaces na torna viagem, afinal, foram histórias do fascismo para alienar criancinhas. Tudo era conhecido há muito dos seus naturais, nada foi descoberto por quem o desconhecia.

De intrépidos capitães e marujos que buscavam novas rotas para chegar a velhos bens preciosos de refinados sabores cujo comércio terrestre estava já dominado, os portugas não passaram de reles conquistadores e colonizadores de terras antes apenas conjecturadas, mesmo que se ao lado de outras que se sabia existirem e de muitas de que se desconhecia como lá chegar.

Tanta ciência nova que criaram e padecimentos mil que passaram, tantos barcos e armadas que perderam à custa de grossos cabedais que consumiram, afinal, para nenhumas novas terras descobrirem nem novos caminhos conhecerem nem longínquas rotas traçarem. Cantou-os nas atribulações do Gama, sonhando, o Épico, só assim se compreende. Coisa de portugas, gente estúpida, pois então!

Mesmo que muitos por todo o lado e de há muito lhes louvem os méritos, alguns outros os menosprezam. Neste caso, à cabeça, outros portugas guardiães do pensamento político correcto. São gente para tudo, os portugas, que de si próprios desmerecem. E troam trombetas, ecoam sirenes e do céu caem pétalas de rosáceas em lufadas anunciando novas penitências fustigadoras.

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