sexta-feira, 20 de março de 2015

O Salgado no meio da insonsa mediocridade

Ele não era o DDT (dono disto tudo), mas era, talvez, o único banqueiro no MDT (meio disto tudo). Era o único espírito bem temperado de sal no meio de tanta insonsa mediocridade. No meio da família dos espíritos, de outros ricos que cagam de alto, sem classe e debitando lugares comuns, e de tantos amigos da onça que o incensavam, depois o abandonaram e agora o caluniam. E continua sendo um senhor, com os defeitos dos capitalistas, agravados nos banqueiros, e as virtudes de alguns homens. Espera-se que vá para a pildra, por uns bons tempos, porque aquilo não era tudo do nosso tio, dos santos espíritos, mas também de alguns profanos, e não se pode pôr e dispor do que é dos outros.

É confrangedor ver gaiatos e gaiatas e outros, já com idade para terem juízo, a esgatanharem-se e a esforçarem-se para tentarem perceber porquê um ror de empresas privadas do maior grupo empresarial do país (muito diferente de um aglomerado de mercearias e de centros comerciais) era gerido assim e não assado, como se um gestor de uma empresa privada tivesse de lhes dar satisfações. Imaginar-se-ão, porventura, donos disto tudo? Muito provavelmente, a alguns vontade não faltará para o serem, o que é uma pena, pois são bons rapazitos e rapariguitas. Espera-se que lhes passe célere, com a juventude.

Em vez de se preocuparem com inquirirem os responsáveis políticos (ministros, ministras e reguladores) por deixarem afundar — ou por contribuírem activamente para afundar, por não intervirem atempadamente — o segundo maior banco privado português, cuja falência ainda irá dar muito que falar na justiça e de que resultará a perda de muitos milhões para o erário público, quando salvaram outros de muito menor importância, e por proferirem afirmações sobre a solidez do banco que sabiam falsas e que levaram ao engano várias centenas de aforradores incautos, a gaiatagem emproa-se a alardear a sua ignorância e a pregar moral de pacotilha, quais virgens ofendidas, de que são exímios violadores. O puto do PCP, então, exulta ao ir-se apercebendo de como funciona o capitalismo e ao pregar a superioridade moral dos comunistas.

Mas que desgraça. Estamos bem aviados com uma tal fornada de politiqueiros.

quinta-feira, 12 de março de 2015

O corjedo: a corja que está lá dentro e a que está à porta para entrar

O folhetim das dívidas do melro-mor à Segurança Social conheceu ontem mais um episódio, outro tesourinho deprimente. No final, o melro vangloriou-se de ter cumprido todas as suas obrigações. Nada mais falso. Pagou dívidas entretanto prescritas do montante que lhe apresentaram, e a que já não estava obrigado, mas não cumpriu as suas obrigações, que eram pagar atempadamente as contribuições. Pagar dívidas prescritas não constitui qualquer obrigação, mas uma opção. E foi isso que o melro fez: optou por pagar dívidas a que já não estava obrigado, aproveitando o bónus que lhe deram. Mas até estas suas liberalidades de linguagem passaram em claro.

O melro inscreveu-se como trabalhador independente em 1996. Entre esse ano e 1999, período em que foi deputado e auferiu vencimentos de trabalho dependente (funcionário público), não terá requerido isenção do pagamento das contribuições devidas por rendimentos auferidos por trabalho independente. Assim sendo, o melro seria devedor das contribuições desde 1996, e não apenas desde 1999, até 2004, ano em que passou a auferir rendimentos apenas por trabalho dependente. Toda a história das contribuições devidas pelo melro, portanto, estará muito mal contada, e assim foi deixada. Remexer mais na merda certamente faria exalar cheiro ainda mais pestilento.

Disse o melro que desconhecia a obrigação de pagar contribuições, e, em conformidade, que não sabia tê-las em dívida, que se soubesse não esperaria até ser P-M para pagá-las. Tal como nunca sonhou vir a ser P-M, é muito provável que nunca tenha pensado em pagá-las. Quando, por bambúrrio de sorte, chegou a P-M, em 2011, as dívidas (pelas quais, por outro bambúrrio de sorte, não fora incomodado, e das quais ninguém lhe exigira o pagamento) estavam prescritas, nada devendo à Segurança Social que lhe pudesse ser por ela exigido e cobrado. Embora tivesse sido devedor, e soubesse, fora-o há muito, e o que lá ia, lá ia. Assunto arrumado.

Até que em 2012 entra em cena um inoportuno jornalista que o confronta com um historial de dívidas contributivas constante dos registos da Segurança Social, ressuscitando o que estava morto e enterrado. Que fez o melro? Apressou-se a liquidar as dívidas? Não! Eram de montante pouco significativo para a contabilidade da pensão de aposentação e, além do mais, estavam prescritas. Que se lixasse, não devia nada a ninguém. Perante a prescrição, o jornalista, deixando o trabalho a meio, também não incomodou mais e nada foi publicado. Como parece ser seu timbre (de comportamento, não de voz), desleixado e despreocupado, e sempre ó tio, ó tio, a contar os tostões, sem ter onde cair morto, uma vez mais o melro optou por deixar correr o marfim.

Três anos passados, em 2015, outro inoportuno jornalista, desta feita um que se tem pautado por andar constantemente a esgravatar na merda dos políticos e que nos tem ido dando conta do que encontra, bicho raro nos tempos que correm (apesar da merda cada vez mais abundante), confrontou-o de novo com o historial das dívidas. E que fez o melro? Desta vez, apressou-se a solicitar o montante da dívida (ainda que prescrita) e a pagá-la, porque este jornalista, ao contrário do outro, poderia não ser tão dócil. Alegou o melro, justificando não ter pago em 2012, quando já não poderia invocar desconhecimento de qualquer ordem, que poderia ser mal interpretado, podendo parecer que estaria a beneficiar (não se sabe do quê) devido à sua condição de P-M.

Os receios confirmaram-se: o jornalista voltou à carga, apesar do pagamento efectuado. Afinal, o melro pagou, mas não terá pago o que deveria. Dos cinco ou seis anos em dívida (1999-2004), pagara apenas três (2002-2004), pelo que o sistema lhe teria dado um bónus de três anos (1999-2001). Defendeu-se o melro com o pagamento efectuado, reiterando que pagara o que lhe fora indicado por quem de direito. Acode o melro responsável pela Segurança Social, corroborando que o montante pago correspondia à totalidade da dívida, apesar de prescrita, ajuntando que ter devido não fora culpa do devedor, mas do sistema, que não o informara do facto nem tentara cobrar a dívida. Supimpa! Este melro desqueceu-se que o outro sabia que devia (pelo menos, vá lá, desde 2012). Mas a vida é assim, e os moços de fretes, para serem requisitados, entre outras coisas, têm de prestar-se ao ridículo papel do traste da triste figura.

Entretanto, a coisa aqueceu politicamente. Comentadores encartados pertencentes à corja, embora afastados das lides e entretidos como astrólogos de pacotilha nas televisões, lamentaram o sucedido, desvalorizando-o, e que o melro não tivesse pedido explícita desculpa ao povoléu. Uns partidos da oposição, empolando o caso, exigiram a demissão do melro (não se sabe a quem, porque o gágá de Boliqueime há muito dissera que não demitiria o Governo, caísse o Carmo e a Trindade), outro, com múltiplas parecenças e equivalentes rabos-de-palha, criticou-o frouxamente, e a corja parlamentar assanhou-se em sua defesa. E soube-se também de mais alguns desenvolvimentos, nomeadamente, quanto ao tempo a que respeitariam as dívidas (de 1996 a 2004) e ao montante a que eventualmente ascenderiam (perto de três vezes mais do que o pago). Esperava-se que no debate parlamentar quinzenal o melro fosse confrontado com os novos dados.

Nada disso aconteceu. O melro reiterou que lamentava não ter pago atempadamente as contribuições em dívida, mas que não devia nada, nem à Segurança Social nem ao fisco (que alguém trouxera a despropósito à baila, para desviar as atenções, embora fosse interessante saber se o melro declarou os rendimentos auferidos por trabalho independente, de 1996 a 2004), e apresentou declarações de quitação em conformidade, que entregou aos deputados. A declaração não constitui prova de que o melro não tenha contribuições em dívida, como nela própria é referido; prova apenas que nesta altura nada lhe pode ser exigido. Apenas o cadastro da carreira contributiva, com os montantes das contribuições anuais e os rendimentos a que respeitavam, poderia esclarecer o assunto, mas isso o melro não solicitou e, portanto, não forneceu.

A questão, por isso, não é só se o melro saberia que deveria pagar as contribuições para a Segurança Social pelos rendimentos auferidos como trabalhador independente, já que pelo menos desde 2012 o sabia, mas é também se pagou a totalidade do que ficara a dever, independentemente dos lapsos ou dos erros da Segurança Social e da prescrição das dívidas. E não tanto pelo valor das dívidas, mas pelo contexto em que ocorreram e pela hipocrisia e o cinismo manifestados pelo melro, que enquanto era devedor fustigava e lançava anátemas sobre os que não pagavam ao fisco ou à Segurança Social, quando estes passaram a estar sujeitos a coimas, a juros de mora, a cobranças coercivas e a penhoras que ele agravou ou instituiu e a que não esteve sujeito. O melro mostrou ser como frei Tomaz, de quem se dizia “faz como ele diz, não faças como ele faz”.

Neste rocambolesco folhetim, os partidos da oposição não estiveram bem. O BE e “Os Verdes” pecaram por críticas menos certeiras e por excesso de entusiasmo nos objectivos, exigindo a demissão do melro por questões morais, de carácter, sabendo de antemão que ele não tem dignidade suficiente e não se demitiria, pelo que não teriam como alcançar esse resultado, correndo o risco de caírem no ridículo; o PCP errou também ao pôr a tónica na necessidade da demissão do Governo, num discurso voltado para fora da Assembleia; mas o principal partido da oposição, ao centrar-se na exigência de um pedido de desculpas do melro ao povoléu, mostrou que tem muito medo destas coisas, que tem a casa cheia de rabos-de-palha. Como em tantas outras ocasiões, também nesta comprovou fazer parte do corjedo: constitui a corja que já lá esteve e que está à porta para entrar.


segunda-feira, 2 de março de 2015

Estes melros da corja...

...são uns exemplos de conduta para o povoléu: por vezes, trabalham à borliú (e então só recebem por despesas), em geral, desconhecem as más leis que aprovam (como a da obrigatoriedade de contribuir para a SS), quando alguém lhes lembra que devem as contribuições esquecem-se de as pagar (ou deixam o pagamento para mais tarde, para não atrapalharem os serviços), por fim, quando outro alguém (certamente por malvadez) traz o caso a público apressam-se a pagá-las (quando em boa verdade já não eram dívidas, porque entretanto tinham prescrito), e como, passados tantos anos, ainda um outro alguém se esqueceu de parte das ditas e dos respectivos juros de mora recebem por isso um bónus e pagam com desconto. Com tantos problemas de memória, eles, afinal, não sendo santos, são de honradez a toda a prova, como enchem a boca, e uns mãos-largas, até pagam o que não devem.

O melro que de motoreta vai pró trabalho, então, é um amigalhaço de primeira apanha. Ao que parece, apenas dos restantes melros, porque do povoléu é adversário temível, do tipo descasca pessegueiro, usando e abusando da cobrança coerciva e da penhora e ululando ao pôr cada vez mais pessoal na Sopa do Sidónio (agora, a Sopa do Mota). Já do companheiro melro é amigo do peito. O devedor não o era porque devesse, mas por erro dos serviços, que não o notificaram em devido tempo ou pelos meios mais adequados para pagar o que supostamente deveria. Uma vítima do sistema, portanto, afiança o moço de fretes vindo pressuroso em socorro. É caso para dizer-se: estes melros da corja são mesmo uns pândegos, e qual deles o melhor! Tão ingénuos e tão cândidos que eles são! Ora digam lá, seus invejosos e outros mal-intencionados, que não são uns amores?


PS-O Mota da motoreta voltou à carga para reafirmar que o outro melro pagou tudo... o que não devia. Mas não explicou como descobriu o tudo nem de quais a quais anos reportava. Os melros têm muitas coisas de menos, mas lata não lhes falta.